Certa vez um grupo de candidatos que disputavam uma vaga de Analista de Comunicação tiveram que dançar a música "Cada um no seu quadrado" numa dinâmica, como parte do processo seletivo. Ridículo, mas real. Eu estava entre esses candidatos e tive que passar pela experiência.
A modinha da música acabou, mas o bordão "cada um no seu quadrado" permanece vivo, sendo usado, geralmente, para situações na qual o egoísmo e a individualidade falam alto. E foi exatamente essa associação que eu fiz há cerca de duas semanas, quando me aconteceu algo inacreditável.
Era madrugada, perto das 3h30, eu estava dormindo e acordei no maior susto com um barulho muito alto, seguido do som de vidros (muitos deles) quebrando. Me levantei e fui andar pela casa para descobrir o que tinha acontecido. Primeiro, pensei que era alguma arte da Nina (minha shih-tzu), mas ela tomou o mesmo susto que eu e correu pra pular na minha cama. O segundo pensamento foi o de alguma janela ter sido quebrada, talvez alvejada por um tiro, mas estavam intactas. Ao olhar para a cozinha, o mistério foi desvendado: o armário com as louças havia se desprendido da parede e espatifado no chão. Surreal!!!
Todos os copos, pratos, entre outras peças de louça, tinham virado pó, pó de vidro e porcelana. Uma enorme quantidade de água corria pela parede, brotando do registro que foi varrido pelo armário em queda livre. Depois de correr atrás de alguém que fechasse o registro externo do apartamento, fui contabilizar o prejuízo e percebi que, além de ter perdido o armário e tudo que havia dentro, metade do apartamento estava alagado.
Como não há nada como um dia após o outro, no dia seguinte uma força-tarefa se encarregou da limpeza e do conserto do cano quebrado e a vida "voltou ao normal". Mas o que mais me chocou com essa história toda não foi a queda do armário (mal instalado, diga-se de passagem), nem a perda material ou o alagamento, e sim o fato de nenhum vizinho ter interfonado ou tocado a campainha pra saber o que se passava para haver tanto barulho em plena madrugada.
Daí a relação com a música citada no início desse texto. Fiquei chocada de ninguém ter perguntado o que aconteceu! O barulho foi muito alto, a ponto de os seguranças terem ouvido lá na rua (estou no segundo andar). Nem o vizinho de baixo, nem o do lado... ninguém. Ninguém falou nada!!!
As pessoas estão tão ensimesmadas, fechadas em seus bunkers residenciais que são incapazes de olhar para o lado, de estender a mão para ajudar o próximo (nesse caso, bem próximo mesmo!). Graças a Deus os danos foram apenas materiais. Se eu estivesse lavando louça, poderia ter me machucado gravemente ou até morrido! Se a Nina estivesse sozinha em casa, presa, teria sido soterrada pelo armário, entre outras coisas seríssimas que poderiam ter acontecido.
Deus nos livrou do pior e me levou a uma reflexão muito profunda sobre o que EU tenho feito pelo meu próximo, o que está aqui ao meu lado e o que está lá longe (missionários no campo, refugiados de guerra, pessoas em situação de risco...). Eu sou a mudança que espero no mundo, começando pelo meu mundinho. Meu quadrado está rodeado de outros quadrados e não posso ignorar isso.


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